Do Marketing ao Mercado de Ações: o fenômeno do Pokémon Go

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Se você saiu nas ruas nos últimos dias, ou tem qualquer tipo de acesso a internet, provavelmente ouviu falar de Pokémon Go. Inclusive, é bem possível que você seja um dos milhares de usuários que o game já conquistou.

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O jogo, que é um dos assuntos mais comentados do momento no mundo inteiro, tem visto sua popularidade aumentar cada vez mais desde a sua estreia. Lançado em alguns países no início de julho, o aplicativo tem causado comoção por onde passa. Um exemplo disso é a informação divulgada pela Apple de que, na primeira semana de lançamento nos EUA, o aplicativo foi mais baixado do que qualquer outro disponibilizado na App Store.

O Pokémon Go, que está disponível para aparelhos Android e iOS, usa o Google Maps para permitir que os jogadores capturem Pokémons pela cidade. Os PokéStops, por sua vez, são lugares nos quais você pode coletar gratuitamente itens, como pokébolas para capturar mais bichinhos ou artefatos para atraí-los.

Aglomerados de pessoas em locais públicos estão se tornando uma cena corriqueira. Isso significa que provavelmente o lugar em questão tem algum Pokémon disponível ou até mesmo uma PokéStop.

A mais nova onda do Marketing

Para aproveitar o fenômeno, a tendência é utilizar o joguinho como estratégia de Marketing. Pontos comerciais como restaurantes, bares e lojas estão procurando formas de conquistar os fãs do jogo, com a esperança de que se transformem em clientes.
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Para isso, muitos atraem Pokémons para dentro do empreendimento e, assim, conseguem mais clientes para o negócio. Com investimentos pequenos dentro do aplicativo é possível realizar manobras para conquistar o público que está em busca dessas criaturinhas.

No mercado imobiliário algumas corretoras de imóveis também já entraram na onda. Diversas empresas do ramo estão incluindo PokéStops e Pokémons nas descrições de seus empreendimentos, a fim de chamar a atenção dos consumidores.

Como era de se esperar, a internet já está repleta de referências ao jogo. E muitas marcas estão se apropriando do fenômeno do jogo em sua comunicação online. O público também está se divertindo e vários memes fazendo referência aos bichinhos já circulam por aí.

Além disso, devido a grande comoção que eles estão causando, vários canais de comunicação pública também estão fazendo uso dessa imagem. Um exemplo foi a campanha lançada no Facebook do metrô de São Paulo a fim de chamar atenção dos passageiros. A mensagem pedia que não ficassem desatentos enquanto jogam e não atrapalhassem a circulação dos demais usuários do trem.

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O aplicativo pode ser o que faltava para encontrarmos novas maneiras de combinar o marketing digital com o mundo real e as interações sociais. Ele permite explorar novas maneiras de interagir com os consumidores e ainda há muito espaço que pode ser aproveitado.

Por enquanto ainda não há investimento de outras marcas em anúncios e patrocínios, mas esse espaço pode ser aberto em breve. O interessante é explorar tudo que o jogo tem para oferecer a fim de engajar o público.

Enxergar o jogo como uma oportunidade de explorar um novo território pode ser o diferencial nesse momento. A maneira que interagimos com as redes sociais está sofrendo efeitos do Pokémon Go. Percebemos nas ruas uma mistura de interação com o mundo real e o digital, e é aí que as marcas podem se beneficiar: uma vez que tudo é muito novo, há bastante espaço para o pioneirismo.

O Mercado de Ações também se rendeu aos Pokémons

O agito ocasionado pelo app não se restringiu às ruas. A Bolsa de Valores também presenciou consequências do mais novo fenômeno. Após 24 horas que o jogo foi lançado nos EUA, a Nintendo alega que suas ações subiram aproximadamente 8%. Desde o início do mês de Julho a empresa chegou a apresentar valorização de mais de 116%.

O que os investidores empolgados ignoraram é o fato de que o Pokémon Go não é um produto feito pela Nintendo. Sua participação consiste em possuir um terço da Pokémon Company e em investir na Niantic, responsável por desenvolver o jogo. Quando o entusiasmo diminuiu, as ações começaram a cair e houve um recuo considerável nessa valorização inicial.

supernintendoDepois disso, a Nintendo divulgou uma nota explicitando a inexpressividade financeira que o jogo ocasionaria no balanço da empresa, o Mercado de Ações respondeu e os ativos continuaram em queda.

Apesar das quedas, Pokemon Go fortaceleu a marca da Nintendo de maneira muito positiva. O aplicativo, que já foi disponibilizado para mais de 30 países, se tornou o assunto do momento. Além de ser um grande indicativo de que ainda há um mercado a ser explorado no que tange a jogos desse formato, a empresa pode se beneficiar muito com a revigorada que o game trouxe para a imagem da marca Pokémon.

Já a startup Niantic, responsável por desenvolver o jogo, está colhendo excelentes frutos. A estimativa de ganhos com o app chega a U$3,65 bilhões e a previsão é de que até o final do ano os lucros sejam ainda maiores. A empresa, que começou como um departamento interno do Google especializado em desenvolver jogos e aplicativos baseados em localização, se tornou uma startup no ano passado.

A dúvida que perdura é: por quanto tempo Pokémon Go conseguirá manter o interesse dos usuários. A conjuntura atual, de grandes e constantes mudanças, pede inovação a todo momento.

Enquanto isso, permanece a certeza de que o jogo já foi capaz de nos oferecer novas perspectivas de interação entre a tecnologia disponível e o ambiente ao nosso redor. Além de reviver a marca Pokémon, outras marcas e estabelecimentos já estão embarcando na onda que foi instaurada por Pokémon Go.

Daniel Arend

MBA em Estratégia Empresarial e Inteligência Competitiva. Gestor da equipe de executivos de conta da SEO Master e docente na Pós Estratégia em Mídias Digitais.

This Post Has One Comment

  1. Muito boa essa matéria, com um pouco de criatividade e esse game nas mãos as empresas podem montar estratégias de marketing mirabolantes. Alguns seguimentos como restaurante, shopping e até mesmo trasporte podem aproveita essa “onda de Pokémon GO” para atrair e fidelizar seus clientes.

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